Sabe aquela imagem clássica de bem-estar no trabalho com mesas de ping-pong, pufes coloridos e frutas na copa? Precisamos falar sobre o que vem depois disso. O bem-estar real é bem menos “colorido” e muito mais profundo e envolve segurança.
Não estou falando de equipamentos de proteção, os EPIs, mas de algo que acontece em um nível invisível: a segurança psicológica.
O lucro de ser humano
Muitas vezes, o mundo corporativo tenta separar “sentimento” de “resultado”, mas os números mostram que essa divisão é uma ilusão. Olha só:
- Desempenho: Equipes que se sentem seguras rendem até 27% mais (Harvard Business Review).
- Retenção: Cuidar da saúde mental aumenta em 4x a chance de manter seus melhores talentos (McKinsey).
- Resultado final: Menos faltas e até 21% mais lucro (Gallup).
Ou seja: tratar bem as pessoas não é um “favor” ou um custo extra. É o melhor investimento que uma empresa pode fazer.
O mito do “conforto”
A professora Amy Edmondson, que cunhou o termo, explica algo essencial: segurança psicológica não é sobre ser bonzinho o tempo todo ou evitar conversas difíceis. É exatamente o contrário.
É ter um ambiente onde você pode discordar, admitir um erro ou sugerir uma ideia maluca sem o frio na barriga de ser julgado ou punido. Quando o medo sai da sala, a inovação finalmente ganha espaço para sentar.
Por onde começar?
Se você sente que sua empresa ainda está no automático, saiba que a mudança não exige fórmulas mágicas. O “básico bem feito” ainda é revolucionário:
- Ouvir de verdade: Líderes que não apenas escutam, mas compreendem.
- Direito ao off: Respeitar o tempo de desconexão (ninguém é criativo exausto).
- Humanidade acima da meta: Reconhecer o esforço e a pessoa por trás do crachá.
Diante de tudo isso, a pergunta que fica para nós hoje não é mais se “vale a pena” investir em bem-estar. A pergunta real é: como algumas empresas ainda acham que vão crescer sem ele?
Texto originalmente publicado na newsletter “Bem-estar no trabalho importa!”